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Adeus ao papel! A pena e a tinta estão mortas... os rascunhos já não existem mais. Amontoados de folhas borradas com suor e lágrimas estão abandonados. Esqueçam-se das letras mal feitas, dificilmente compreendidas por outrem; das palavras apagadas, mas ainda visíveis à contra-luz. Adeus ao papel em branco e suas linhas opressoras... adeus! 
 
A poesia é dinâmica. Molda-se ao espírito humano e espalha-se como o vento. Persiste a jornadas longínquas, atravessa séculos e continua arrebatadora. Mas os poetas... ah, os poetas morrem em qualquer canto escuro e abafado, embriagam-se de dor e de alegria, sofrem infartos de menosprezo, espasmos de solidão, úlceras de hipocrisia... 
 
Abílio Mateus Jr. 
10 de outubro de 2007
Sem Flash?!
Multidão despencando sobre meus umbrais
E gritando o desespero em palavras tais
Que ferem os ouvidos, soando qual eco
Nas fundas cavernas, no ventre dum boneco.
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