| Paisagens noturnas |
a Aldous Huxley
Um vento noturno blasfema e freme
As faces rubras do Tempo, que voa;
Asas de águia pairam sobre a lagoa
Prenhe de tormentas. "Avante ao leme!"
Navegar... que infeliz necessidade,
Tão estúpida quanto viver, só;
O infinito revela-se qual pó,
Volátil névoa cobrindo a verdade.
Visões, apenas vão desprendimento
Da realidade absurda que corta
E sangra a carne podre, quase morta,
Do profeta imerso no negro vento.
O Tempo mostra aos seus olhos famintos
Um filme de convulsivas imagens;
Futuro estampado em atras paisagens:
Cinzas da arte, dos medos, dos instintos.
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