| Paisagens noturnas |
Enfim, quando a noite queda em teus olhos,
E a pele se enruga, as lembranças fogem,
E todos os abismos te consomem,
Os sonhos deixam de ser monopólios.
Divide-os com os que ficam na vida,
Com o sol sempre alto sobre os pescoços,
A esperança nítida, sem esboços,
E a carne da alma inda pouco afligida.
Doa teus sonhos de alvas primaveras,
Desfaça as tuas gritantes quimeras,
Enterre o desgosto de não sonhar.
Pois o sonho que morre com o dono
Vai deixando um rasto frívolo no ar
Em cada hora do derradeiro sono.
Nenhum comentário