| Paisagens noturnas |
Estou entre a navalha e a faca afiada,
Um frasco de veneno e a forte picada
Do destino ou de um escorpião amarelo;
Estou entre a rubra foice e o atro martelo.
São forradas de trevas as minhas escolhas...
Um frio outono urge em mim, e o cair das folhas,
Após tempestade que arrasou meus desejos,
Deixa-me qual Pã num deserto sem festejos.
É como ler versos num estranho alfabeto
E ter por morada apenas o curvo teto.
Ouvir fluir um rio e não poder segui-lo;
É como despertar dum repouso tranquilo.
Sempre tive os olhos cegos pela loucura
E agora, temo o tempo trazer-me a candura;
Retiro os ponteiros do relógio da vida
E sigo entre a navalha, a faca, a despedida.
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