| Paisagens noturnas |
Aquele mar já não é mais o mesmo...
Ondas desnudas despertam na areia,
A lua, ao longe, estende sua teia,
Enquanto divago e caminho, a esmo.
A imensidão da orla predestinada,
Furta olhos concentrados no horizonte,
Na linha que passa o último monte
Antes do oco abismo da madrugada.
Eis que fico com minhas doces águas,
Ouvindo os lampejos do mar de outrora.
Tudo era calmo, sem cruzes ou mágoas;
Tudo era o remanso da tenra aurora,
O silêncio apaziguante do dia,
A alva luz, que já não me contagia.
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