| Paisagens humanas |
Pobre poeta! Versos rasgados no peito,
No peito farto de ares, sonhos malabares...
Poemas desterrados num avulso leito,
Panfleto arremessado aos sóbrios olhares.
Pobre poeta! O público que te condena,
Condena e sacrifica as almas de outra rica
Ninhagem; artesãos, eremitas em cena
Combatendo a tolice que se fortifica.
Sofre poeta, e oferta esses versos de amor,
De amor que contagia os ermos de alegria,
E espera, um só sorriso, desconsolador,
E um só abraço, falso, com garras de harpia.
Cobre, poeta, teus olhos cheios de abismos,
De abismos e de horrores, insanos temores;
A nau que te carrega, sobre ondas e sismos,
Um dia afundará! Afoga tuas dores!
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