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M. Rothko - Sem título
Mark Rothko (EUA, nascido na Rússia, 1903-1970)
Sem título, 1963
Nota: 2 (1 voto)
Paisagens humanas

O trem



 
Cerca meus olhos a mesma angústia insana 
Que carrega meus ossos numa atra carreta. 
Tudo rasteja sobre a carcaça humana 
Lapidada na estação de férrea cor preta. 
 
Tudo foge em busca do bendito conforto, 
Enquanto os molambos entregam-se aos suplícios 
E os jovens astutos brincam de vivo-morto; 
Vivendo de trocos, morrendo por seus vícios. 
 
 
II 
 
Nos vagões da monotonia, a cada instante, 
Um novo grito disfarçando a piedade 
Desperta do sono a percepção lancinante 
E revela aos meus olhos a velha verdade, 
 
Que se ocultava nas muralhas de concreto, 
Nos parapeitos que dividem vida e morte. 
Os ideais não seguem único trajeto, 
Serpenteiam entre a miséria, o caos, a sorte. 
 
 
III 
 
Vultos caminham sem direção nem respostas 
(Os lampejos de vozes são sempre as perguntas), 
Ofertando coisas que nas mãos estão postas, 
Esperando o Destino, em súplicas conjuntas. 
 
Outra estação ergue-se diante das vistas, 
Novamente negra, qual noite sem fronteiras. 
Tudo morre: os sonhos, as lutas, as conquistas. 
O trem parte... a vida trilha árduas barreiras. 

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