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As ruas são enciclopédias repletas de definições vagas, onde ocultam-se preciosidades. Basta caminhar com os olhos abertos, mirados no chão que arde sem se ver, vasculhar cada canto que brota entre uma e outra esquina.
E. Schiele - A morte e a dama
Egon Schiele (Áustria, 1890-1918)
A morte e a dama, 1915
Verá surgir um corpo a cada passo, um abrigo sob cada laje, mil sonhos perdidos nas migalhas disputadas com as pombas, aves estúpidas porém livres. Verá um povo coberto com a desgraça que veste tons cinzas, monótonos, crus.
Nota: 3 (1 voto)
Paisagens humanas

O corpo


Disformes pigmentos recobrem a ruína... 
Pelas ruas, tons cinzas, monótonos, crus, 
Tornam negros quaisquer fachos de vaga luz 
Que habitam o Corpo, hóspede duma esquina. 
 
Subversivos olhos de uma face assassina 
Condenam os trapos sem leitos ou vil cruz, 
Culpam os restos que o povo humano produz, 
Ignoram o Corpo... cegueira repentina! 
 
Estirado no eterno mármore, sua praça, 
Abatido pela excelência da desgraça, 
O Corpo expira tragos de incredulidade. 
 
Enquanto um tumulto de pombas esvoaça, 
Perdido nos escombros, sem qualquer verdade, 
O Corpo funde-se na infâmia da cidade. 

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