| Paisagens humanas |
Um louco debruçado no meio do fio,
Na lâmina mordaz da perfídia mundana,
Irrita transeuntes do mesmo covil
Donde saíra; agora, solto, ri ou emana
Um brando desespero, vivo e arredio.
Cavalos mentecaptos cavalgam as trilhas
Do Paraíso farto de ares carbonados;
Névoas sufocam olhos, vivas armadilhas
Dispersas no oceano de descontrolados
Espasmos... desoladas, faces maltrapilhas...
Faces do louco, preso em seus santos infernos,
Que jazem sob as pétalas do capital.
Anjos de ouro, trajando máscaras e ternos,
Caem dos céus num gesto divino e brutal;
Ajoelham-se os servos dos deuses modernos.
Multidão de orações embriagam as praças
Enquanto a grata dor alimenta o demente.
Compaixão, piedade, pedidos e graças...
Fica o vívido louco debruçado rente
Aos bispos da Fortuna, ao reino das Desgraças.
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