| Paisagens humanas |
A fúria do fogo na boca do maluco
(Inferno mascarado de malabarismos)
É sublime, como plumas galgando abismos,
A liberdade oculta num absurdo sulco.
Sublime... os lábios são um chafariz de fogo
Que a fronte faz ferver; os olhos como adagas
Fatiam luminescências em quentes vagas
Num duelo vaporoso, num hábil jogo.
Voam chamas cada vez mais altas, mais alto,
Para as mãos dos deuses em nossos paraísos.
As danças da fumaça aos loucos causam risos,
Aos tolos, um bocejo, prolixo e incauto.
Sublime... os dragões na noite crivada de lanças
Rebentam utopias guardadas na face
Do povo sonâmbulo que sonha a catarse
Vagando nas ruas com frias esperanças.
Seus sonhos resvalam nas fogueiras insanas
Em santas peregrinações malabaristas.
Últimas brasas atiçam o fogo em cristas
E exumam a loucura de suas entranhas.
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