| Paisagens noturnas |
Chove... sinto e ouço ruir meus ossos
Como se de salitre fossem feitos,
E as nuvens que tombam em pingos grossos
Parecem ocultar férreos confeitos.
Desabam artilharias dos céus...
Foices, mísseis, missivas desalmadas.
O peito, ferido, jorra escarcéus
Qual chuva que demora madrugadas.
Incessantemente chove... e chovia
Quando herdei do tempo essas minhas mágoas,
A saudade que resta e a agonia
De ver minha alma singrar turvas águas.
Chove... sinto e penso fluir a vida
Pelos riachos mortos e barrentos,
Órfãos da tempestade concebida
Pelas lágrimas dos meus sentimentos.
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