| Paisagens humanas |
Na praça infestada de movimentos,
Olhos cortando a náusea vespertina,
Lábios cravados em lábios sedentos,
Uma estátua, plácida, se ilumina.
Ascende seus braços de cata-ventos,
Contorce a rigidez da dura sina,
Eleva a surpresa em meneios lentos
E glorifica a sua pantomina.
Atrai curiosas-pobres-crianças
Que outrora esvaziavam esperanças
Juntado as migalhas da piedade.
Distrai a multidão que a praça invade,
Recolhe os braços, silencia e queda,
Ficando à espera de outra moeda.
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