| Paisagens noturnas |
a Edvard Munch
Longe dos olhos fulvos um negror de morte
Emana da decrépita face que jaz
No arcabouço largado entre o bando sequaz
Do Ócio e o vil povo que unge sua sorte.
Longe dos olhos puros da pura criança,
A paz das cavidades profanas engole
O tumulto das preces da sonora prole
Do Tédio, a multidão de filhos sem 'sperança.
Um choro inda distante dos olhos calados
Desvela a fúria pérfida da Sombra brava
Que hora após hora esculpe o rosto e nele crava
Seu reino, abismo hostil de infindos desagrados.
Um grito inda longínquo nos olhos afunda,
Tece um emaranhado de eternos conflitos;
Um crepúsculo cobre os vestígios aflitos
Enquanto a Morte vela a face moribunda.
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