| Paisagens humanas |
Fúria cravada na lâmina clara,
Luz crepuscular que nela se ampara
Inunda de rogos a boca (grita!),
Enegrecida ante a face maldita.
Mosaicos de sombras retas e rentes,
Sob a chuva de lágrimas pendentes
Do rubro torpor que a voz obscurece,
Semeiam sopros, sempre a mesma prece.
Ergue os punhos súditos da Vingança
E atira-os contra o outro, feito lança
Envenenada com a fúria pura
Dos lábios do Tempo, a lenta tortura
Que assassina sua figura inerte,
Vela a blasfêmia que das trevas verte
Imantada com o desejo imenso
Da morte... no ar, um vulto, calmo e denso.
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