| Paisagens noturnas |
Lúgubre... penetro em sua negrura abjeta,
Áspera escuridão de sombras paralíticas
Que me observam, famintas, qual faces raquíticas;
Sozinho, perco-me... busco uma luz secreta.
No enevoado labirinto de segredos
— Retrato de alguma alma fria e sorumbática —
Encontro um ponto de fuga, uma flama estática
Que admiro, cego, tateando com os dedos.
O clarão de virtuosas luzes e cores
Incendeia meus olhos qual fogo alegórico,
De chamas infindas, de um lampejo fosfórico,
Que em mim, poeta ignoto, brota como flores.
Escapo das trevas com os lábios ilesos,
Com o olhar detido na caverna bucólica;
A alma dispersa voa, e voa melancólica...
Sem seus traços, despenca, como absurdos pesos.
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