| Paisagens noturnas |
A cabeça gira...
O vento respinga
Na face cansada,
Que ora choraminga,
E ora a gargalhada
É o alvo da mira.
A cabeça grita...
Vibram os cabelos
Lisos da loucura.
O medo, em novelos,
Fios de desventura,
Adorna-os, qual fita.
A cabeça cansa...
O olhar curto e baço,
O eco surdo e grave
Das pálpebras de aço,
Caindo qual ave
Ferida por lança.
A cabeça queda...
O soluço canta
Vozes de verão.
O torpor espanca
O oco coração,
Duro feito pedra.
A cabeça reza
Prece sonolenta,
Canção de ninar
Que a vida acalenta,
E a alma faz chorar...
A alma, fria e tesa.
A cabeça, fina...
Caída de um lado,
No ombro, seu esquife;
Seu corpo jogado
No emerso recife
De sua ruína.
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