poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
Enfim, quando a noite queda em teus olhos,
E a pele se enruga, as lembranças fogem,
E todos os abismos te consomem,
Os sonhos deixam de ser monopólios.
Divide-os com os que ficam na vida,
Com o sol sempre alto sobre os pescoços,
A esperança nítida, sem esboços,
E a carne da alma inda pouco afligida.
Doa teus sonhos de alvas primaveras,
Desfaça as tuas gritantes quimeras,
Enterre o desgosto de não sonhar.
Pois o sonho que morre com o dono
Vai deixando um rasto frívolo no ar
Em cada hora do derradeiro sono.
© 2008-2010 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 15:27:28 -0400. Hits: 159
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