poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
Estou entre a navalha e a faca afiada,
Um frasco de veneno e a forte picada
Do destino ou de um escorpião amarelo;
Estou entre a rubra foice e o atro martelo.
São forradas de trevas as minhas escolhas...
Um frio outono urge em mim, e o cair das folhas,
Após tempestade que arrasou meus desejos,
Deixa-me qual Pã num deserto sem festejos.
É como ler versos num estranho alfabeto
E ter por morada apenas o curvo teto.
Ouvir fluir um rio e não poder segui-lo;
É como despertar dum repouso tranquilo.
Sempre tive os olhos cegos pela loucura
E agora, temo o tempo trazer-me a candura;
Retiro os ponteiros do relógio da vida
E sigo entre a navalha, a faca, a despedida.
© 2008-2010 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 15:25:21 -0400. Hits: 154
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