poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
esta angústia que corre em minhas veias
exala um perfume acre de flor morta
são naus a singrar minha ácida aorta
entre hemáceas malsãs e vis sereias
perfura a carne as vísceras me corta
ata minha alma a sórdidas correias
transforma em rocha o pó d'alvas areias
em grades o cais onde a idéia aporta
e por mais que eu resista a esta tragédia
laminando os dois pulsos e exaurindo
todo sangue a angústia toma a rédea
cavalga minha fronte e vai sorrindo
sem suspeitar que a fênix ressuscita
das próprias cinzas se eleva bendita!
Barcelona, 12 de outubro de 2007
© 2008-2010 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 02:35:40 -0400. Hits: 89
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