poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
o bucolismo da cidade grande!
como são belos os luzentes pirilampos a jato
riscando o céu enfumaçado
e deixando as nuvens pálidas de medo
este mesmo céu sendo insistentemente acariciado
pelos imensos formigueiros com suas armaduras
de espelhos
e olhares perplexos
nas relvas de aço
grilos-alto-falantes ensaiam uma batucada
de agudos contínuos e gritantes
glorificando a monotonia elétrica dos seus pulsares
em outros cantos
o tumulto silencioso de outros grilos
que sussurram a tristeza de povoar
calçadas e desertos
enquanto florescem os jardins
e alastram-se os bosques de pinheiros
tão sublime é ver o gado mansinho pastando
nas pradarias de vidro e concreto
ruminando a rotina o horário e a pressa
encantar-se com outros tantos rebanhos
seguindo pastores e crenças
esperando pelo abate nos matadouros celestes
e os passarinhos que maravilha!
cantando nos galhos metálicos dos bares de esquina
em infinitas esquinas
ganham migalhas e semeiam a piedade
ah! e as borboletas multicoloridas
de salto alto
sobrevoam a desgraça muda das flores sem pétalas
sem teto
sem aquela esperança que brota da rocha
e vira riacho
e o que dizer da revoada de andorinhas tontas
de terno-e-gravata
que fazem verão outono inverno e toda uma primavera
de floridas fortunas e flóridas paisagens
oh! como agradam os meus olhos
estes cotidianos bucólicos
estes ares pesados
estes rios imóveis
estes campos de pedras intactas!
quero retratar esta natureza incomum
com o grafite dos seus rochedos
e o neon das suas estrelas
e enquanto a cidade festeja
admiremos aquelas negras aves de rapina
rodeando nossas cabeças
sufocando nossos sonhos e esperando
a lenta acomodação de nossas carcaças frias
nessas praças libertárias!
© 2008-2010 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 02:32:06 -0400. Hits: 180
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