poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
Pobre poeta! Versos rasgados no peito,
No peito farto de ares, sonhos malabares...
Poemas desterrados num avulso leito,
Panfleto arremessado aos sóbrios olhares.
Pobre poeta! O público que te condena,
Condena e sacrifica as almas de outra rica
Ninhagem; artesãos, eremitas em cena
Combatendo a tolice que se fortifica.
Sofre poeta, e oferta esses versos de amor,
De amor que contagia os ermos de alegria,
E espera, um só sorriso, desconsolador,
E um só abraço, falso, com garras de harpia.
Cobre, poeta, teus olhos cheios de abismos,
De abismos e de horrores, insanos temores;
A nau que te carrega, sobre ondas e sismos,
Um dia afundará! Afoga tuas dores!
© 2008-2010 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 04:01:07 -0400. Hits: 151
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