poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
a decadência se manifesta nas singelas
profanas e inaudíveis palavras
dos escritos que nada dizem
ou falam ou mostram suas faces
aos leitores desajeitados que os lêem
em voz alta e serena ritmada
procurando rimas nos vazios absurdos
mas realmente vazios
a insolência palavreada assusta
ou será que amedronta?
às horas em que as palavras evolam-se
até as névoas moribundas das alturas
sempre decadentes restos e versos e sobras
das mais puras poesias sem fim
rastejam no solo úmido e doentio
à espera dum poeta louco insignificante
sem pressa relógios réguas inexatas
componho cada sílaba com ardor
com o labor do selvagem que luta
com sua própria carne fatigada
e vivo em cada palavra uma morada
um casebre devastado pelos temporais
de versos e estrofes e poemas inteiros
habito uma palavra e sinto-me livre...
© 2008-2010 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 02:32:53 -0400. Hits: 179
Comentários
Nenhum comentárioDeixe seu comentário