poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
A praça abraça-me feito,
Do morto, o cúmplice leito
Sempre que peço repouso
E moradia.
Corrupto, às vezes ouso
Roubar-lhe os castos canteiros
Fazendo-os meus travesseiros
De alvenaria.
Os dias passam ligeiros...
São como cães perdigueiros
Atrás da caça abatida
Pelo cansaço.
É triste ser ave ungida
Pelas monótonas crises
Que acumulam cicatrizes
No aspecto baço.
Mas há dias mais felizes
Onde busco nas marquises
Um descanso que me valha
O mês inteiro.
E esqueço de quem trabalha
Em todas horas e cantos,
Dos operários aos santos,
Pelo dinheiro.
E os sonhos tidos são tantos
Que desperto entre os espantos
Dos transeuntes perplexos
Ante meu sono.
E seus olhos e reflexos,
Confundem-me com um bicho
Que habita a praça do lixo
E dela é dono.
Pois aqui em meu vasto nicho
O destino, por capricho,
Revelou-me o que eu buscava
Desde criança.
A labuta é minha escrava
E da preguiça sou cria.
Comendo ócio todo dia
Sorvo esperança.
© 2008-2010 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 04:02:58 -0400. Hits: 187
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