poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
I - A LIBERDADE
Dia quente. Vento de pedra e sono
Banha a varanda clara que me abriga.
O tempo, também claro, anda e mendiga
Qualquer migalha de inverno ou outono.
Dia ermo. A liberdade ressuscita
No bater das asas de nada e nada
No dorso duma mosca esverdeada
Que levita e paira, e paira e levita.
Indignado com a abstrata ousadia
Da mosca e seu vôo, a mosca e seu vulto,
Fujo, corto os pulsos, não os escuto...
Minha liberdade! Inda que tardia.
Caído na mesma varanda calma
Compreendo do inseto o seu apelo:
A mosca é livre, sem querer sê-lo!
Meus vôos, apenas vislumbres da alma.
II - A SUBLIMAÇÃO
No campo praguejado de rumores,
Capim ante capim, estrume e lama,
Um alvo novilho berra e derrama
Sua tristeza ante a mãe em horrores.
Indiferente a este infeliz traço,
Um surto de bruxuleantes moscas
Orna a carcaça com vis manchas foscas
E vivas asas zunindo em compasso.
Um revôo de fétidas fragrâncias
Salta da abjeta e podre natureza,
Inunda o pasto com sua vileza,
Saciando as moscas e suas ânsias.
Absorto diante desta atroz cena
Abstraio a beleza difusa no ar;
Digo: a mosca é sublime por consagrar
Essa podridão que nos envenena.
© 2008-2010 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 15:26:12 -0400. Hits: 133
Comentários
Nenhum comentárioDeixe seu comentário