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Negro é o mar quando visto na madrugada.
Os açoites das ondas nas orlas de areia
Recitam monólogos de alguma sereia
Embevecida pelos véus da noite alada.
Aves forram o silêncio com suas asas,
Sobrevoando alto, elevando as firmes quilhas;
A noite também voa, rumo às calmas ilhas
Soltas no horizonte, longe das águas rasas.
Hora após hora, a escuridão se faz morta;
Fragores do sol aquecem a maré baixa,
E hora após hora mais uma peça se encaixa
No jogo de miragens onde a vista aporta.
Perdem-se ilusões no último alvorecer.
A despedida do mar é doce tortura...
O corpo arrebatado fraqueja e murmura
Um triste e breve adeus, que o peito faz doer.
Pois negro é o mar das praias da solidão...
Cada passo deixa um rasto e some nas ondas;
Banham-se os olhos em lágrimas hediondas;
Afunda a densa fronte, qual num turbilhão.
© 2008-2010 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 15:24:35 -0400. Hits: 117
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