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Ontem a tempestade era apenas vigor,
Ventos, raios.
Luzentes deuses da atmosfera,
Entre musas disformes qual erma cratera,
Espiavam...
Na obscura laje, fogo e flor.
As primitivas lágrimas, em leves gotas,
Tênues quedas,
Cortaram o silêncio frio
Do fogo e da flor postos num canto vazio
Do jazigo;
Outras lágrimas cairam, soltas.
A intensa tempestade desabou, qual ave
Alvejada.
Do fogo apenas rastros vagos,
Da flor, pétalas náufragas em rasos lagos,
Lá restaram.
Sob a laje, um som, baixo e grave...
Hoje, o vil temporal tece os trajes dos nobres
Com ferro e aço.
Castiga faces, poupa as flores;
Extingue vidas, deixa o fogo e seus ardores
Sempre acesos.
O medo! O temporal dos pobres.
© 2008-2010 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 04:06:13 -0400. Hits: 163
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