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uma sonoridade avulsa

poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos

Aviso aos náufragos: Este projeto está em contínuo processo construtivo. Aniquilamento e criação são caminhos e atalhos que trilho numa constante busca da perfeição. Sei da origem onírica do termo "perfeição", mas sou assaz tolo para apreciar e procurar as coisas perfeitas.

Nota: 2.5 (2 votos)

Soneto II


estou oco por dentro tenho fome
das pragas semeadas nas calçadas
plantadas nas gris ruas dos sem-nome
nas suas próprias faces desoladas
tenho pressa mastigo podres frutos
pasto migalhas míseras a esmo
com os olhos de pedra frios e astutos
sacio o ser interno e a mim mesmo
regurgito alegrias esporádicas
tristezas espontâneas e sádicas
dilacerações ácidas da mente
repouso no teu âmago silente
com um gosto de vísceras no olhar
e as asas bem abertas p'ra voar


Barcelona, 12 de outubro de 2007
	
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