poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
Aviso aos náufragos: Este projeto está em contínuo processo construtivo. Aniquilamento e criação são caminhos e atalhos que trilho numa constante busca da perfeição. Sei da origem onírica do termo "perfeição", mas sou assaz tolo para apreciar e procurar as coisas perfeitas.
a boca contorcida é completa afeição
alcança outro ermo céu quando a língua se ocupa
em alçar vôos no deleitável sertão
que ela boca sedenta seca molha e chupa
os dois lábios dormentes noutros lábios são
mortos galgando o tempo na sua garupa
ordinária e fria enquanto a esguia mão
roçando a nuca é do assassinato a culpa
o que seria então do beijo mais aflito
se não fosse a distância do louco conflito
e as mãos juntando os vívidos lábios dispostos?
os olhares outrora em vértices opostos
rendem-se aos dedos que somem entre os cabelos
e convergem em beijos em íntimos zelos
Barcelona, 13 de outubro de 2007
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