poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
Chove... sinto e ouço ruir meus ossos
Como se de salitre fossem feitos,
E as nuvens que tombam em pingos grossos
Parecem ocultar férreos confeitos.
Desabam artilharias dos céus...
Foices, mísseis, missivas desalmadas.
O peito, ferido, jorra escarcéus
Qual chuva que demora madrugadas.
Incessantemente chove... e chovia
Quando herdei do tempo essas minhas mágoas,
A saudade que resta e a agonia
De ver minha alma singrar turvas águas.
Chove... sinto e penso fluir a vida
Pelos riachos mortos e barrentos,
Órfãos da tempestade concebida
Pelas lágrimas dos meus sentimentos.
© 2008-2010 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 15:24:53 -0400. Hits: 101
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