poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
I - AS FLORES
Flores para os mortos, os santos, os doentes.
Vaga rosa reflete o dorso duma velha
Sentada sobre as sombras, os braços dormentes,
Firmes... gesto paciente que a flor espelha.
A mão estendida, em silêncio, agride e chora...
Vende seus absurdos comprando piedade,
Inerte, muda, como a chegada da aurora.
Flores para os tolos, flores para a cidade.
II - A PROCISSÃO
Uma procissão de corpos e pesadelos
Segue as esmolas das caridosas retinas
Que cruzam o infinito e encaram os apelos
Cruéis... malditas revelações citadinas.
Membros desfigurados espreitam quem passa.
Súplicas juntam-se aos murmúrios dissonantes,
Inundam as calçadas com densa desgraça,
Com fé... moribundas lástimas nauseantes.
III - AS VELAS
Um mar incandescente alastra-se e consome
A carne pura, os olhos cheios de pecados;
Queima, ferve o vinho barato, cessa a fome
Dos cínicos pregadores abençoados.
Chamas infindas desabam do santo altar
Erguido entre a miséria, as esmolas tão parcas;
No trágico tumulto, no impiedoso ar,
Um perfume de morte deixa suas marcas.
© 2008-2010 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 03:37:36 -0400. Hits: 163
Comentários
Nenhum comentárioDeixe seu comentário