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Den døde mor

a Edvard Munch

Longe dos olhos fulvos um negror de morte
Emana da decrépita face que jaz
No arcabouço largado entre o bando sequaz
Do Ócio e o vil povo que unge sua sorte.

Longe dos olhos puros da pura criança,
A paz das cavidades profanas engole
O tumulto das preces da sonora prole
Do Tédio, a multidão de filhos sem 'sperança.

Um choro inda distante dos olhos calados
Desvela a fúria pérfida da Sombra brava
Que hora após hora esculpe o rosto e nele crava
Seu reino, abismo hostil de infindos desagrados.

Um grito inda longínquo nos olhos afunda,
Tece um emaranhado de eternos conflitos;
Um crepúsculo cobre os vestígios aflitos
Enquanto a Morte vela a face moribunda.

Nota do autor: Em norueguês, Den døde mor significa "A mãe morta". Este poema é uma homenagem a Edvard Munch (1863-1944), pintor norueguês. Um de seus mais conhecidos quadros, "The Cry", é típico de sua angustiante expressão de solidão e medo. Este poema faz menção a outra obra de Munch, com mesmo título, pintado entre 1899 e 1900.

28 de Junho de 2009 às 15:23:23 -0400. Hits: 141

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