poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
Fúria cravada na lâmina clara,
Luz crepuscular que nela se ampara
Inunda de rogos a boca (grita!),
Enegrecida ante a face maldita.
Mosaicos de sombras retas e rentes,
Sob a chuva de lágrimas pendentes
Do rubro torpor que a voz obscurece,
Semeiam sopros, sempre a mesma prece.
Ergue os punhos súditos da Vingança
E atira-os contra o outro, feito lança
Envenenada com a fúria pura
Dos lábios do Tempo, a lenta tortura
Que assassina sua figura inerte,
Vela a blasfêmia que das trevas verte
Imantada com o desejo imenso
Da morte... no ar, um vulto, calmo e denso.
© 2008-2010 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 04:03:32 -0400. Hits: 109
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