poemas avulsos ofertas da casa idéias ao vento dejetos ao esgoto lixo aos nossos olhos desterros da alma asas de mariposa lágrimas de virgens sorrisos decadentes poemas entre sombras palavras aos montes de estrume e fel doenças radiantes felicidades esparsas cruzes num campo ossos na areia resquícios de gente restos de artilharia cadáveres de sombras poemas dispersos gritos de prazer orgias artísticas cenas de novela em novelos desfiados sono acordado sonho cabeças desfeitas gravatas e cordas lábios e foices lúcidas imagens poemas avulsos
Lúgubre... penetro em sua negrura abjeta,
Áspera escuridão de sombras paralíticas
Que me observam, famintas, qual faces raquíticas;
Sozinho, perco-me... busco uma luz secreta.
No enevoado labirinto de segredos
— Retrato de alguma alma fria e sorumbática —
Encontro um ponto de fuga, uma flama estática
Que admiro, cego, tateando com os dedos.
O clarão de virtuosas luzes e cores
Incendeia meus olhos qual fogo alegórico,
De chamas infindas, de um lampejo fosfórico,
Que em mim, poeta ignoto, brota como flores.
Escapo das trevas com os lábios ilesos,
Com o olhar detido na caverna bucólica;
A alma dispersa voa, e voa melancólica...
Sem seus traços, despenca, como absurdos pesos.
© 2008-2010 Abílio Mateus Jr. — todos os direitos reservados
28 de Junho de 2009 às 15:23:05 -0400. Hits: 107
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