entre sombras
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Quoth the Raven, "Nevermore"...
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A caravana

Tudo cheira náusea. Decomposição da bendita liberdade jogada no pélago da miséria. Ao longe, ciganos em viagem pelas ruas da cidade armam acampamento em qualquer amontoado de tristezas. Tesouros se escondem nas latas, nos sacos, nos baús deixados a sete palmos da podridão.

O alimento é ouro e a liberdade é sonho.

Uma caravana, um povo perdido
Nos fétidos, criminosos atalhos,
Levando os restos, mórbidos retalhos;
Dignidade oculta em cada gemido.

Tráfego de vilezas, lixos, vidas
Esparramadas nas ruas dormentes,
E sonolentas, sob sombras dementes,
Sombras incessantemente sofridas.

Movimentos síncronos no cimento...
Uma queda, ressurreição, um passo!
Seguem num simbiótico compasso

Sugando das calçadas o alimento,
Moldando-se na rude arquitetura
Dos bancos das esquinas da loucura.

28 de Junho de 2009 às 03:34:51 -0400. Hits: 135

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