
Vício
Tomo um café! Hipnotizo as pálpebras leves
Com único gole fumegante e severo;
Descubro pálidos horizontes, tão breves,
Que os olhos rotos encontram. Não espero!
Busco-os com voracidade felina, atroz,
Desconhecendo o destino que me convida,
Bruscamente, em cada gole do meu algoz,
Por toda a existência da alma denegrida.
Servo dos sentidos, escravo embriagado,
Alcanço o êxtase dos presságios ocultos.
As divindades, no paraíso adornado,
Brincam debilmente, entre prantos e insultos;
E observam-me, com um farto olhar cristalino,
Vigiando o vício, minha sobrevivência.
Tomo um café! Esqueço meu vago destino,
Caio debruçado em profunda decadência.
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