
Saltimbanco
Velho indigente sorrindo sua desgraça...
A morte é o falso amigo que te abraça
E te condena à solidão da velhice,
Morbidez doentia, serena tolice.
Velho deprimente gritando seus absurdos...
O povo que te rodeia é um clã de surdos,
Manifestação indiferente de medo,
Temor do tempo, que faz da vida um degredo.
Velho, que teus tormentos sejam repentinos,
Breves momentos de angústia, vãos assassinos
Da doença que corrói tua alva ossatura.
Velho, que o povo seja tua sepultura,
Mansão sagrada que guardará os resquícios
Do saltimbanco, do ancião e dos seus vícios.
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