
O Tédio
Ser das sombras eternas, me olha concentrado.
Pupilas dilatadas, mirando, sinistro,
O tumulto que divaga, poetizado
Com mil palavras.
— Da Morte, és o ministro!
Transeunte dos infernos, da falsa negrura.
Deus infame de vestes rotas, maltrapilho;
Mal-aventurado que me olha à procura
De más lembranças.
— Da Loucura, és o filho!
Fantasma dentre os fantasmas, espectro vil.
Tens por escravos os jovens; por rei, o Terror.
O Medo que murmura em peito ermo e senil
Reina seu mundo.
— Da solidão, és a dor!
Certezas e dúvidas confundem-se na alma.
O Tédio, soberano, segue seu caminho
Entre corpos e espasmos, a maldita calma,
A paz dos tolos.
— Dos poetas, és o vinho!
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