
Os viajantes
Quando os sonolentos desabam nas moradas
E envergam seus corpos, bocejando ao acaso,
Nas sórdidas mansardas, faces desoladas
Condenam à forca o silêncio do descaso.
Indignos sem leito (mas com a tumba pronta!)
Brincam de imortais lançando-se em torpes poços,
Sem medo das trevas, da morte que os afronta
E lhes diz: "Faço de suas vidas, meus ossos!"
A caravana de semideuses, qual vagas,
Oscila entre o tumulto de vozes malditas
E a gritaria rouca de velhas pressagas,
Murmurando o futuro, as sortes e as desditas.
Nos ninhos aconchegantes, quase sagrados,
Os viajantes desembarcam com destreza
E logo adormecem sobre os parcos estrados,
Deixando o poeta só... com sua tristeza.
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