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Prólogo - A aurora
Dia de chuva
Fuga
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Miserabile vita
Inspiração
Deuses metálicos
Ventos e raios
A morte do poeta
A queda
O fantasma
Subterrâneo
Allegro
Os viajantes
O campesino
O Tédio
Ébrio
A morte do assassino
Incenso
Brandemburgo
O medo do solitário
Últimas palavras
A chave
Dualismo
O escritor condenado
Anjo decadente
Danças

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Nota: 2
(1 voto)

O poeta e o doente


I - VISÃO DOENTIA 
 
Padece. Decomposto em trapos no seu leito, 
O olhar passivo a percorrer o torvo teto, 
Murmurando qual necrófago em resto abjeto; 
O leve balouçar do ventre e do ermo peito. 
 
Contemplo-o. Defronte do paciente afeito 
A moléstias desde criança (ou mesmo feto), 
Admiro cada arrebatamento secreto 
Que encontro na palidez do turvo sujeito. 
 
As vísceras à mostra revelam encanto, 
Contraindo-se como as pálpebras num pranto, 
Esguias e fugazes feito vil serpente; 
 
Os espasmos imprevisíveis, o fluente 
Rio, de tenebrosas águas rutilantes; 
A paz dessas enfermidades delirantes. 
 
 
II - PALAVRAS ENFERMAS 
 
Conheces a vida, poeta desgraçado... 
Assim como conheço os báratros da morte. 
Mil paixões enforcam-me; sigo rumo à sorte 
Que me aguarda, nas profundas do Mal amado. 
 
De amargo sangue o frouxo peito embriagado... 
Poeta maldito! Suspiras vendo o corte 
Que atravessa meu coração de norte a norte, 
Deixando escapar as angústias do passado. 
 
Amaldiçoado sejas, poeta infame! 
Que tua deplorável alma jamais ame 
Qualquer espécie de beleza ou de ternura. 
 
Amarás somente a podridão e a loucura, 
A sordidez das carnes pútridas e mortas; 
Teus versos serão feitos de palavras tortas. 


Em paz
A velha
Mármore
Pântano
Gritos da miséria
A cega
Suicidas
Saltimbanco
Sobrenatural
Poética das águas
A mortalha
Uma dança
Céu rubro
A carne
Transeunte
Ser poeta
De Profundis...
Vício
Tarde
Soturno
Angústia noturna
Noctívago
O poeta e o doente
Carpe diem
Hora sagrada
Alucinação ou falsa liberdade
Epílogo - O crepúsculo
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