
O medo do solitário
À hora tardia, quando os parvos sonâmbulos
Despertam desesperados da sonolência,
Alucinados, nas alturas, qual funâmbulos,
Torpes pensamentos erram na consciência.
Ah! Tão indistinguíveis remorsos de outrora
Afligem, denigrem, culpam o condenado
Pelas mãos impiedosas da vil senhora...
A Loucura, justa e cega, impõe seu reinado.
Recolhido no esquecimento quase eterno,
Corroído pelos ares da solidão,
Entrega-se ao medo, malefício hodierno
Sustentado por bruscas palavras em vão.
Envolvido pelas paredes de concreto,
Assiste, momento a momento, ao seu sepulcro,
E mesmo que lhe digam o que é correto,
Esquece, e faz do medo um solitário fulcro.
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