
O fantasma
A sombra flutuante sob fartos olhares
Parece um resquício de vida maltratada;
Sem rumo, fica à deriva em altos mares,
Esperando o fim da nauseante jornada.
Suas vestes translúcidas são como velas
Içadas até os céus por rígidos mastros.
Não há vento, mas a sombra nas aquarelas
Veleja tal como imagens, sem deixar rastros.
Sob tons policromos, a figura noturna
Desaparece nos mares inconscientes;
Naufraga nos sonhos, levemente soturna;
Mergulha em pesadelos, loucos, deprimentes.
A sombra do fantasma jaz nos oceanos,
Nas trevas absurdas dos vagos pensamentos.
O desconhecido cai em abismos profanos,
Que escondem medos, temores e outros tormentos.
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