
O escritor condenado
Debruçado sobre folhas, alvas escravas
Açoitam seu corpo, deixam sulcos sanguíneos,
Qual feridas provocadas por duras clavas
Nos punhos marcados por fartos assassínios.
A tinta escorrendo na pele castigada
Desenha nas rugas imagens de bacantes,
Sacerdotisas insanas qual madrugada
De prazeres ardentes, e versos faltantes.
Fugindo das sombras, caindo em precipícios...
Quão forte é a mão que arrebata seus sonhos
E transforma seus devaneios em suplícios,
Como aqueles que olham para a morte, risonhos?
Quantos versos mal escritos florescerão
No ermo deserto dos seus velhos pensamentos?
Sua vida flui qual um denso turbilhão,
Sugando da alma apenas os férreos lamentos.
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