
O campesino
Com a enxada nos punhos infantis,
Cava o solo pobre, o terreno ingrato,
Que arranca-lhe os sorrisos pueris
E as brincadeiras troca pelo mato.
Capina o mato... retrato da morte
Cravado na aridez dos descampados,
Dos desertos à procura da sorte,
A busca incansável pelos aguados.
Brinca na terra, sonha com a enxada
E descobre a vida nas duras chagas,
Nas batalhas contra a fome encarnada
Em pálidos olhos, humanas pragas.
Sob o sol do sertão, e a vil miséria,
O menino, o campesino, sorri,
Como se a vida fosse uma pilhéria
E a morte, a justa indagação de si.
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