
Noctívago
Se pudesse evitar o sono que me oprime,
Libertar dos laços noturnos o silêncio,
Sempre breve e calmo tornaria sublime
O atro tédio, que o despertar jamais vence-o.
Na noite infinda, contemplaria os segundos
Qual morto alegre a rondar túmulos abjetos,
Povoados por vermes e restos imundos,
Sem temor do tempo e seus círculos corretos.
Cavalgaria horas, montado em firmes selas
De couro, de palavras, de árduos sentimentos,
Galgando planícies de sonolentas telas
Pintadas por meus olhos, loucos e sedentos.
Aos fátuos acordes do amanhecer tardio,
Quando o sono desabasse sobre meus ombros,
Por mais um momento seria arredio,
E escreveria estes versos, estes escombros.
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