
Incenso
As doces labaredas de muitos ardores
Tecem nos ares espessos e sufocantes
Mortalhas gentis para plácidos amores
E trajes nacarados para vis amantes.
Disformes figuras, esfumaçadas, pálidas,
Agitam-se nas profundezas abissais,
Fartas de aromas selvagens, fragrâncias cálidas
Lançadas por Vulcano, o deus dos ancestrais.
A cada expiração fumegante, as visões
Ofuscadas pelas incandescentes danças,
Das alvas imagens, das vastas ilusões,
Enchem as retinas, os lábios, de esperanças.
Tão assim é o teu olhar, ó musa silente!
Coberto com uma névoa de incensos puros
Deixa trespassar apenas o amor fremente,
Que tem por abrigo seus dois olhos escuros.
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