
Hora sagrada
Hora propícia. Fervem lembranças antigas,
Insanidades longínquas no ar esvaecem;
Segundo a segundo ávidos demônios descem
Das trevas, enlaçando-me com mãos amigas.
Desisto de falsas meditações noturnas
Na sobriedade dessa hora imersa em prantos.
Escorrem vultos dos meus olhos, pelos cantos,
Pelos restos de vidas caladas, soturnas.
Hora mística. Para os tolos, hora santa;
Oração pagã de um louco devastador.
Prevalecem sombras na alma do sonhador,
Palavras dispersas na voz que jamais canta...
Clama, implora... farta hora de divagações.
É o tempo das memórias, épocas mortas,
Saudade da liberdade, de abrir as portas
E regressar para o mundo das percepções.
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