
Gritos da miséria
Multidão despencando sobre meus umbrais
E gritando o desespero em palavras tais
Que ferem os ouvidos, soando qual eco
Nas fundas cavernas, no ventre dum boneco.
Gritando toda piedade em meus ouvidos;
A balbúrdia incontrolável, em zunidos
De dor, de saudade, de medo da miséria,
Revela a profusão da existência cinérea.
Conjunção de prantos lamentosos, profundos,
Que na frieza do meu semblante são mundos
Repletos de sombras desses míseros seres.
Defronte da pobreza, faustosos prazeres
Calam a multidão que grita em meus ouvidos.
No silêncio, ouço somente roucos gemidos.
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