
Ébrio
Afundarei meu copo em poças rutilantes,
E vítreas figuras surgirão qual bacantes,
Dançando, cambaleando entre largos jorros
Do mais puro elixir, dos mais uivantes morros.
Um fresco licor descerá pela garganta
Animando a alma, dizendo-lhe: "Te levanta!
E corra qual louco devasso pelas ruas,
Exalando o meu perfume nas falas tuas."
"Seja digno do meu fatídico domínio.
Apresente-me a outros, cause-lhes fascínio;
Ostente com soberba o fulgente castelo,
Que abriga meu reino e o teu humano flagelo."
Livre de mordaças, mas preso ao nobre vício,
Jogarei meus sonhos em fundo precipício,
Sem remorsos, tristezas ou torpes mágoas...
Apenas ébrio, mergulhado em rubras águas.
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