
Dualismo
Quando soarem as derradeiras sonatas
E os últimos cantos ecoarem no espaço,
Qual voz silenciosa, ou cuidadoso passo,
Escondendo segredos de mentes sensatas;
Quando avistarem ao longe os trêmulos portos,
Que enlaçam com firmeza as almas fugidias,
E cândidos, salvam das fortes ventanias
Os permanentes náufragos, vivos e mortos;
Quando os corpos moverem-se na rapidez
Do mais singular facho de luz policroma;
Quando tudo o que nos restar for como a soma
De infindas ondas em colapso, e a sordidez...
Gritaremos como loucos em meio aos livros,
A névoa desconhecida que nos transforma
Em sábios que nada sabem, na simples forma
Do mais puro saber: Mortos, e sempre Vivos!
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