
Diurnos
Manhã sem vida... apenas folhas em branco,
O leve balanço de flores suicidas
Despencando uma a uma, num vôo franco,
Rumo ao solo, às sepulturas soerguidas.
Somente os lamentos de incerteza e tédio,
Os pássaros confusos nos ares diurnos
Gritando qual loucos em busca dum remédio
Para suavizar seus corpos taciturnos.
Apenas folhas em branco, mágoa poética...
Na manhã que padece, serena e fria,
Os versos enlouquecem, perdem a estética,
Dissolvem-se nos ventos, estranha magia,
Erram além dos sóis numa dança frenética,
E sucumbem, cansados, numa poesia.
|